quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ler os Lembretes


- Boca de forno?
- Forno!
- Fazei tudo o que seu Mestre mandar?
- Faremos todos.
- E se não fizer?
- Ganharemos bolo.
- O Mestre manda que...


E ai, depois da ordem dada, a gente saia correndo pela rua afora pra fazer as tarefas que o Mestre mandava. Porque se não, ganharíamos bolo (tapas na mão. E o vencedor ainda podia escolher a quantidade de palmadas).
Lembra dessa brincadeira? Quem já brincou assim levanta a mão! É uma brincadeira infantil muito conhecida no Brasil. Acho que faz parte do nosso folclore.


Pois é, agora com a tecnologia o estilo da brincadeira mudou, mas a essência é a mesma, quer vê só?


Quando entramos para o sistema FLY, começamos a receber por e-mail, lembretes nos alertando para realizarmos nossas atividades. Como não estamos habituadas a certas rotinas, esses lembretes nos ajudam a nos posicionarmos diante das nossas novas tarefas.


Eles servem para nos fazer lembrar que temos alguma coisa a fazer, a realizar, a colocar em prática. A gente pode comparar também com a voz da mamãe nos lembrando que temos de fazer o dever de casa, ou nos alertando que tínhamos que estudar para determinada prova. Lembra quando éramos crianças e só queríamos brincar, assistir TV ou mesmo dormir? Ela vinha e chamava nossa atenção. Primeiro com carinho, esperando que fossemos por livre e espontânea vontade, depois, como não a obedecíamos, ela gritava, zangava e até dava castigo, lembra? Pois é, esses lembretes servem pra isso.


Os lembretes são generalizados, ou seja, não são específicos para SUA casa ou SUA família. Pode acontecer deles servirem ou não para você. Por exemplo: dar alimento ou ração para seus animais de estimação. Se você não tem animal de estimação, como no meu caso, então ele não serve, mas têm outros que são interessantes pra todo mundo. Por exemplo: quarta-feira, dia de limpar a geladeira. Acredito que na maioria dos lares brasileiros, tem geladeira, então nesse caso vale pra todo mundo.


O bom deste método é que você adapta a suas necessidades. Você não tem animas? Não precisa adquirir um. Não dá pra limpar a geladeira na quarta-feira? Então separa um dia da semana, que melhor lhe convém para fazer essa tarefa. O lado bom dos lembretes é que eles estão lá, gritando pra você que faça suas tarefas.


No início, quando me casei, enchi minha casa de plantas. Tinha várias, de diversos tamanhos. Na empolgação, comprei vasos, pedras decorativas e tudo mais. Então, no dia a dia, notei que eu não tinha paciência pra cuidar delas. Tinha que aguar, podar, mudar de um lado para outro dependendo da sensibilidade da planta para pegar ou proteger do sol, vento ou chuva e todas essas coisas que envolvem o cuidado com as plantas. Aí, um belo dia, não agüentando mais essa trabalheira toda, resolvi doar minhas plantas: presenteei minha sogra, que tem uma floresta na área de serviço da casa dela; dei também pra minha cunhada e até vizinhos levaram minhas plantinhas. Porque eu tava vendo a hora em que elas morreriam por falta de cuidados. Só fiquei com duas: um coqueiro, lindo, e um antulho (os tenho até hoje), por serem resistentes e não precisarem de tanta paparicação, só necessitando de água para sobreviverem, como todo ser vivo. E quem disse que eu as aguava? Eu não tinha tempo pra me cuidar, não tinha nem tempo de beber água e ainda por cima tinha que ficar aguando planta? Cheguei mesmo a falar para as diaristas que passaram lá em casa: - Ó, Não se esqueça de aguar as plantas nos dias que você vem aqui, porque se você não fizer, elas vão morrer! E minhas duas plantinhas restantes sobreviveram graças as minhas faxineiras.


Mas se você tem acompanhado meu blog, sabe que optei por não ter ajudante. Então, agora esse serviço ficaria por minha conta ou eu faria nova doação. Aliás, eu fiz só que a pessoa não veio buscar. Assim eu mesma comecei a aguar minhas plantinhas. Tinha dia que eu aguava, outro não. Passava semanas e eu me esquecia de dar água pra elas, só lembrava quando via que elas estavam murchinhas. Na outra semana encharcava as bichinhas, em tempo de matá-las afogadas. Não tinha controle.


Depois que conheci o método FLY e nos babys steps recebi um lembrete assim: aguar as plantas. Passei fazer com mais constância. No início eu só aguava as plantas quando lia os lembretes. Depois, eu fui adaptando os lembretes ao meu cotidiano, às minhas rotinas e incorporei de tal maneira que aguar as plantas já não era mais problema pra mim. Hoje, não preciso mais dos lembretes, já sei que nas segundas, quartas e sextas-feiras, com a água do último enxágüe, quando lavo as roupas, encho um jarro e mato a sede delas. É automático, sem confusão mental.


Com os lembretes que recebia eu passei a ter novos hábitos. Quer ver mais um: fazer lista de compras antes de ir ao supermercado. Quantas e quantas vezes comprei coisas que tinha em casa e esquecia de comprar aquilo que tava faltando, confiando na minha memória? Aprendi a fazer um controle do que acabou e do que ainda tem. Acredita que no início cheguei a ter mercadoria velha, dando bicho, guardada na despensa? É, o negócio era feio. Completo descaso com minha casa.


Pra quem ta achando que está pesado, difícil e pensa em desistir, vai uma dica: o negócio é descontrair. E para isso é só retornar à infância: fazer as coisas na brincadeira fica muito mais gostoso, quer vê só:


- Boca de forno?
- Forno!
- Fazei tudo o que Flylady mandar?
- Faremos todas.
- E se não fizer?
- Ganharemos bolo.
- Flylady manda que (ver os lembretes).


E ai, depois da ordem dada, a gente sai correndo pela casa afora pra fazer as tarefas que a Flylady nos enviou. Porque se não, ganharemos bolo. É, tapinhas. Só que agora não é na mão mais não, é no lombo.


Se tá pensando que num tem conseqüências se você não cumpre as ordens dadas? Tem sim: você vai viver na desorganização, você vai perder dinheiro jogando fora alimentos estragados e pagando multa porque esqueceu o vencimento das contas; vai continuar na sujeira e bagunça; vai estar sempre atrasada para os compromissos, porque demora em encontrar objetos que não sabe onde colocou; vai estar sempre estressada na hora de fazer a refeição pra família porque não tem os ingredientes necessários; vai.... tá achando pouco? Quer mais? Olha que tem, em! Era bem melhor quando recebíamos tapinhas na mão, né?


Como alguém já disse: A história se repete! E você, conhece esta brincadeira?

Um comentário:

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