segunda-feira, 15 de março de 2010

Continuação - Parte 3

COMO ENCONTREI O FLYMIGAS (parte 3)

... Só retornamos a nossa vidinha depois de eu completar meus quarenta dias de resguardo (fiz questão porque o parto foi prematuro e minha vida virou de pernas para o ar).

Enfim, comecei a passar por tudo o que uma dona de casa passa quando não encontra uma boa doméstica ou diarista. Ficava refém delas. Se naquele dia ela não pudesse vir por algum motivo, as tarefas não eram feitas, e caso ela decidisse ir embora, eu pirava. Sem contar que tinha que ficar o tempo todo dizendo como queria que cada tarefa fosse feita, e ainda ficar observando pra ver se realmente era feita do jeito que eu queria, principalmente quando era uma novata. Eu, pra dizer a verdade, num sabia dar ordens. Entrava numa de fazer amizade e ai o lance Patroa-Empregada num rolava mais, já viu, né? Os problemas dela, querendo ou não, eu pegava pra mim. Problemas com filhos, maridos, saúde, falta de grana, etc.. Também deixei de ter minha privacidade. Tinha que ficar na minha casa me policiando nas conversas com meu marido ou deixar pra falar alguma coisa com ele quando elas fossem embora após terminarem o dia. Quando comprava um bem para minha casa, ou um imóvel ou trocava de carro, essas coisas, parecia que eu tinha que me desculpar por pagar a ela um salário de diarista que num dá pra nada, porque pagar a mais que o mercado também num dava, a final se o próprio governo não consegue resolver esse problema não sou eu que vou, né? A última diarista que passou por minha casa tinha uma filha dois anos mais velha que a minha, sempre que eu comprava algum brinquedo para a minha, comprava para a filha dela também. Quando passava no supermercado sempre lembrava de levar alguma coisa pra ela. Sem contar o incomodo de ter outra pessoa na minha casa quando eu chegava da rua cansada e num queria ver ninguém, a primeira pessoa que via era ela que tava lá em casa trabalhando. Passaram-se sete anos e tudo isso foi me cansando. Até que um belo dia houve um “casamento”: a pessoa que trabalhava lá em casa decidiu ir embora e eu concordei que ela podia ir e que eu não teria mais ninguém trabalhando na minha casa. O legal disso tudo é que ficamos amigas. Volta e meia vou a casa dela ou ela vem aqui pra gente bater papo. Mas não temos mais o vínculo patroa e empregada.

(Continua em outro post)

2 comentários:

  1. Olá Regi, amei seu blog. Sua história é tão parecida com tantas donas-profissionais-mães e que se atrapalham no meio desse monte de coisa para fazer. Estou adorando os posts. Beijos.

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  2. Obrigada, eu é q adorei seu comentário. Abraços

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